sábado, novembro 26, 2022

Entenda como a teoria dos jogos pode ser a resposta para sua gestão

Com o mundo em constante transformação, o mercado fica mais competitivo a cada dia e as empresas precisam se adaptar cada vez mais rapidamente. Para isso, é preciso, mais do que nunca, profissionais qualificados e capazes de usarem as melhores ferramentas para tomar as decisões certas. E uma das ferramentas essenciais para isso é a teoria dos jogos!

Isso porque tomar decisões estratégicas significa prever ações que podem impactar seu negócio para, só depois, agir. Isso inclui entender as ações de fornecedores, clientes, competidores entre outros. Assim, a teoria dos jogos visa ajudar a prever como os movimentos dos diferentes elementos podem afetar a sua tomada de decisões.

Para entender melhor como funciona a teoria dos jogos e como você pode colocá-la em prática, conversamos com José Carlos Souza Filho, professor da USP e especialista em gamificação, que deu uma palestra sobre o assunto para os alunos do MBA USP/Esalq. Não perca!

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O princípio da teoria

Peças de um jogo de tabuleiro que podem ser utilizadas na aplicação da teoria dos jogos.
A teoria dos jogos é uma ferramenta complexa e com diversas usos.

De acordo com Souza, a teoria dos jogos parte do princípio de que existem dois tipos de jogos. O primeiro é composto por jogos “aleatórios”, como jogos de carta, roleta, dados etc. Já o segundo grupo, estudado pela teoria, é o de jogos de interação estratégica. “São jogos que consideram atitudes, comportamentos e reações de outras pessoas”, explica o professor.

Desta forma, a teoria dos jogos também é chamada de teoria da interação estratégica. Ela funciona como uma ferramenta para analisar e entender como um ou mais agentes tomam suas decisões quando se deparam com situações em que o resultado esperado impacta e é impactado pelo resultado do outro.

Partindo deste princípio, ela se chama teoria dos jogos porque é preciso tomar decisões pensando no que o outro pode fazer, logo, há sempre algo em jogo. Souza conta que, embora possa parecer algo distante, ela pode ser facilmente exemplificada em situações do dia a dia e em situações do mercado, como:

  • Um casal decidindo o que fazer nas férias;
  • Um governante decidindo se deve responder ao ataque de outro, que o ameaça;
  • Uma empresa ou profissional decidindo se deve retaliar ou desconsiderar a ação agressiva de um concorrente.
  • Uma montadora decidindo se deve baixar o preço de seu modelo básico;
  • Países da OPEP decidindo se devem reduzir a produção de petróleo para sustentar preços;
  • Uma empresa do ramo químico decidindo se constrói uma fábrica em um local não explorado;
  • Uma empresa planejando uma aquisição hostil de outra empresa, que pode agir para tentar impedi-la.

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Categorias de jogos e ações

Confiança é o primeiro passo para o sucesso profissional!

Dentro dos jogos de interação estratégica, é possível identificar quatro categorias:

  • Jogos Equilibrados: quando existe um equilíbrio de forças entre os participantes, de modo que não há uma hegemonia e propicie-se uma condição racional de competitividade.
  • Jogos Assimétricos: quando existe uma hegemonia por parte de um ou mais participantes.
  • Jogos Simultâneos: quando os participantes tomam suas decisões sem saber ao certo o que o outro fará, pois eles tomarão suas decisões ao mesmo tempo.
  • Jogos Alternados: quando um participante toma a sua decisão após tomar conhecimento da decisão tomada por seu oponente.

Segundo o professor, utilizando como base essas categorias, antes de planejar sua estratégia, o tomador de decisões deve decidir entre dois caminhos amplos: “Existem situações em que é melhor competir e situações em que é melhor cooperar”, esclarece.

Para ele, a cooperação deve ser escolhida em mercados novos e não explorados, de modo a evitar conflitos, mas ficando atento a vulnerabilidades, principalmente em caso de falhas morais dos outros envolvidos. Já a competição deve ser escolhida em mercados maduros, em que resta pouco para crescer. Nesse caso, pode-se ganhar muito, mas também há um grande risco de perda.

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Utilizando a teoria dos jogos

Homem utiliza a teoria dos jogos para decidir estratégias empresariais.
Apesar de muito útil, a teoria dos jogos deve ser utilizada com cautela.

Souza conta que, “para que um profissional utilize a teoria dos jogos de maneira eficaz, é preciso que ele o faça como um agente racional”. Ele explica que um agente racional é aquele que segue algumas características importantes no uso da ferramenta. Esse profissional:

  • Aplica a lógica a premissas dadas para chegar às suas conclusões;
  • Considera apenas premissas justificadas a partir de argumentos racionais;
  • Usa evidências empíricas com imparcialidade para julgar afirmações sobre fatos;
  • Toma decisões sem envolver juízos de valor e sim a razão.

Assim, é preciso utilizar os conhecimentos disponíveis sobre todas as partes que podem impactar seu negócio e aplicá-los de acordo com os preceitos da teoria dos jogos, como um agente racional. É possível utilizar algoritmos para criar modelos que ajudem a prever, levando em consideração as possíveis ações de todos os envolvidos e tomando a melhor decisão.

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Os desafios

Confiança é o primeiro passo para o sucesso profissional!

De acordo com o professor, a teoria dos jogos pode ser aplicada a inúmeras situações. Entretanto, é preciso considerar também a complexidade de certas situações, como o número de envolvidos ou a quantidade de ações possíveis para cada um deles. Afinal, embora passível de aplicação, o uso indiscriminado dessa ferramenta pode trazer mais problemas do que soluções.

Por isso, é preciso saber exatamente quando utilizar essa teoria e quais fatores aplicar durante seu uso. Esse é o chamado paradoxo da complexidade. Souza explica que o paradoxo parte do princípio de que “os modelos simplificam a realidade e não pretendem ‘ser’ a realidade. Quanto mais variáveis inseridas, mais complexo ficará o modelo”, e quanto mais complexo o modelo:

  • Mais difíceis são as decisões;
    • Mais difícil será para relacionar causas e efeitos;
    • Mais difícil será para associar os resultados com a realidade;
    • Mais tempo será demandado.

Gostou de aprender sobre teoria dos jogos? Então conheça o MBA USP/Esalq e entenda tudo sobre essa e outras ferramentas essenciais para os profissionais do século XXI. Aproveite!

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Autor (a)

Caio Roberto
Caio Roberto
Jornalista e amante de história, línguas estrangeiras, cinema, literatura e videogames. Utilizo minha curiosidade natural e minha facilidade de me comunicar para descobrir mais sobre o mundo e tentar passar isso adiante. Acredito que nasci para contar histórias, independente da história, da mídia em que ela será contada e do meu papel nela.

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