sábado, novembro 26, 2022

Economia e cooperativismo de crédito: como será o setor em 2019?

O cooperativismo de crédito, seguindo o caminho oposto de outros segmentos, se fortaleceu muito nos últimos anos no Brasil. Enquanto outras instituições financeiras, como bancos, fechavam as portas de várias agências, o setor cresceu 21% nas carteiras de crédito só em 2018.

O dado divulgado pelo Fundo Garantidor do Cooperativismo de Crédito (FGCoop) corresponde a 12 meses, entre setembro de 2017 e setembro de 2018. Ele mostra o que já é visto principalmente nas pequenas: as cooperativas de crédito estão cada dia alcançando mais seu espaço.

Mesmo em um momento em que outros setores da economia estavam quase em “queda livre”, o segmento se fortaleceu. “É nesses momentos que as cooperativas crescem”, afirma Marcio Port, vice-presidente da Central Sicredi Sul/Sudeste e professor do MBA USP/Esalq em Gestão em Cooperativas de Crédito.

Ele diz, ainda, que isso acontece porque, devido ao relacionamento com o cliente ser mais humanizado, as cooperativas tendem a enxergar as oportunidades em meio à crise. “Elas estão próximas ao associado e sabem o que cada um precisa naquele momento”, declara.

“É muito comum que os bancos convencionais decidam alguma coisa a partir da sua sede e determinem isso para todo o país, sem considerar as especificidades ou a realidade econômica das regiões”, completa.

Projeção

Dito isso, o que será do cooperativismo em 2019? A tendência é continuar nesse crescimento? De acordo com Port, isso continua sim, só que agora com os outros setores da economia se recuperando também, mesmo que devagar.

“O novo governo tem demonstrado a intenção de descentralizar, para que o mercado seja autossuficiente. E as cooperativas de crédito têm uma linha parecida de trabalhar o desenvolvimento econômico e social nas comunidades.”

Essa visão econômica, segundo o professor, é semelhante ao que busca o cooperativismo, ou seja, desenvolver o que cada região tem de mais forte, respeitando as especificidades de cada município, seja ela turismo, agricultura, tecnologia, entre outras.

“Nesse novo momento nós vamos ter uma retomada da economia. As cooperativas conseguem perceber, de forma mais rápida que os bancos, quais os setores que estão reagindo e retomando o ritmo de crescimento”, diz. Isso beneficia principalmente pequenas cidades, que é onde elas mais atuam.

Pequenas cidades

Outra tendência que contrapõe os grandes bancos é a instalação de pontos de atendimento de cooperativas de crédito em municípios de pequeno porte. “Isso mostra o interesse legítimo que nós temos pelas comunidades. Porque nós estamos em municípios onde geralmente os bancos não se instalam porque não há viabilidade econômica”, pondera.

As cooperativas costumam se atentar a cidades muito pequenas, nas quais a agência se torna viável por conta do modelo de negócio diferenciado. “Hoje são 576 municípios onde só existem pontos de atendimento de cooperativas e nenhum banco, o que representa 10% das cidades brasileiras.”

Dados

Atualmente o Brasil conta com cerca de 950 cooperativas de crédito diferentes e 6 mil pontos de atendimento, que seriam as agências. Isso faz com que a rede seja maior do que os bancos convencionais. Os dados são do FGCoop.

Mesmo com tantas agências, a expectativa em 2019 é que outras mais sejam inauguradas. “Somente na instituição que eu trabalho, a Sicredi, nós pretendemos aumentar em 10% o número de pontos de atendimento esse ano”, comenta.

Apesar do crescimento constante das cooperativas, a preferência da maioria da população brasileira são os bancos. Hoje 10 milhões de pessoas são associadas a uma cooperativa financeira, ou seja, cerca de 5% do total de habitantes.

“Nos Estados Unidos cerca de 1/3 da população é sócia de uma cooperativa. Um dos nossos grandes desafios é o desconhecimento. Se mais pessoas soubessem o que é e como funciona, teríamos muito mais associados”, reflete.

Uma tendência que poderá ser percebida nos próximos anos é o crescimento das cooperativas de crédito nas empresas. “Nós temos avançado muito no público de pessoa jurídica. Isso tende a continuar em 2019 e nos anos seguintes também”, finaliza.

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