quinta-feira, setembro 29, 2022

Vaidade masculina em alta cria oportunidade de negócio

As barbearias estão na contramão da maré negativa da economia. Segundo dados da Jucesp (Junta Comercial do Estado de São Paulo), em 2016 foram abertas 71 barbearias no Estado de São Paulo, crescimento de 91% em relação ao ano anterior. Neste ano já são 51 novos estabelecimentos abertos até o dia 1º de junho, um salto gigantesco se olharmos para 2013 e 2014 que tiveram, respectivamente, três e 16 novas barbearias. Para a assessora econômica da Fecomerciários, apesar do atual momento de recessão, as barbearias surgiram como uma oportunidade de negócio que atende as necessidades de um público que está preocupado com a beleza. “É muito interessante esse nicho de mercado, porque temos a necessidade de um consumidor (homens), que hoje gastam com estética, e um serviço que agrega valor com outras atividades, como jogos e diversão”, afirma. O mercado de beleza masculina dobrou nos últimos cinco anos, de acordo com a Euromonitor International, empresa que monitora o setor de beleza em 80 países. A pesquisa apontou que em 2014 a venda de produtos para barba, sabonetes e shampoos voltados ao público masculino movimentou US$ 4,7 bilhões no Brasil, um aumento de 99,4% em comparação a 2009. “Existe uma demanda crescente nesse segmento e empreendedores estão sabendo atendê-la em negócios como as barbearias”, diz. O sócio-proprietário da Vikings Barbearia Lucas Ribeiro de Moraes é um desses empreendedores que apostaram em um negócio voltado a esse público, que está cada dia mais vaidoso. Com duas unidades em Piracicaba (SP), a barbearia deixou de lado o tradicional serviço de “barba, cabelo e bigode” e oferece uma experiência diferenciada aos clientes. Na Vikings, o cliente pode usar a mesa de bilhar, comprar uma cerveja ou refrigerante e até tomar um sorvete. “Também vendemos acessórios masculinos como pulseiras e correntes para aquele cliente que já quer sair com o look preparado”, diz Moraes. Esse é um dos grandes diferenciais das “novas” barbearias. “Não é só fazer barba, cabelo. Cada barbearia tem um ritual de atendimento, por exemplo, no corte da barba há a preparação da pele do cliente”, diz. E o cliente ainda pode agendar o seu horário pelo telefone, site ou aplicativo e é recompensado em caso de atraso do barbeiro. “Se o barbeiro atrasa alguns minutos, o cliente ganha uma cerveja, por exemplo. Se passa desse tempo, o cliente não paga nada”. Quem poderia imaginar que um negócio, que quase se perdeu no tempo, também oferece serviço de delivery. “O serviço que nasceu com intuito de atender pessoas debilitadas e idosas, hoje é contratado para eventos como festas de aniversário, academia, oficina de moto, hospital”, relata. Kelly lembra que esse modelo de negócio deve ser olhado com atenção, porque há um serviço de qualidade, com custo benefício, e outras atividades agregadas a ele. “Isso vale para qualquer tipo de negócio e, em um momento de crise, muitas ideias inovadoras como essas podem surgir”.

   

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