sexta-feira, dezembro 9, 2022
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Como a Inteligência Artificial deve mudar o mercado de trabalho

Daqui há alguns anos, seu posto de trabalho pode ser ocupado por uma máquina. Essa afirmação pode até ser uma verdade – talvez um pouco exagerada – mas a boa notícia é que os empregos não vão simplesmente desaparecer: devem se modificar. “Novas ferramentas muitas vezes surgem com ares de que vão roubar o lugar do profissional, mas não acredito nisso. Os empregos no futuro deverão, sim, ser colaborativos e a máquina fará o trabalho repetitivo, denso e volumoso”, comenta Luana Moro, gestora da equipe de Inteligência Artificial do Pecege.  

Mudanças trazidas pela Inteligência Artificial

Luana cita que, ao longo da história da evolução humana, os empregos naturalmente se moldaram. A Revolução Industrial, por exemplo, alterou significativamente o mercado de trabalho, até então de manufatura. A Inteligência Artificial não exterminará postos de trabalho, mas trará mudanças consideráveis, em sua opinião. “Na Nasa, por exemplo, imagine se fossem calcular todas as rotas de todos os foguetes manualmente? Seriam muitas pessoas fazendo tudo isso por anos, fora a procura por talentos, que seria intensa. Essa tarefa densa (de cálculo, por exemplo) é o que as máquinas fazem. Elas não tiram empregos, mas os transformam”, aponta.  

Máquinas x humanos

A Inteligência Artificial replica hábitos humanos e atua com reconhecimento de padrões. Pesquisas já apontaram, por exemplo, que máquinas podem ser mais eficientes que humanos na detecção do câncer – para conseguir esses resultados, os pesquisadores treinaram a rede neural usando imagens de 100 mil lesões de pele malignas e benignas. A precisão da IA foi de 95%. Essas máquinas, no entanto, não substituirão médicos, diz Luana. “Elas auxiliarão de forma complementar, contribuindo no diagnóstico.” Situação similar ocorre na tradução de textos. Máquinas hoje já são capazes de traduzir uma grande quantidade de texto de forma célere, fazendo o serviço mais “pesado” da tradução que antes era todo “feito à mão”. Ao profissional especializado, cabe analisar, revisar e complementar a tradução, cita Luana.  

Geração de empregos

Apesar do receio quanto à perda de empregos com o avanço da IA, o setor na verdade tende a recrutar mais do que dispensar. Até porque as máquinas precisam ser projetadas e “ensinadas”, já que aprendem baseada em padrões. “Você não precisa ser um cientista de dados para trabalhar com IA. Várias são as áreas aplicáveis. Um desenvolvedor, por exemplo, não sabe de linguística, então esse trabalho será feito pelo profissional específico desta área”, aponta Luana. A IA vai melhorar a produtividade em muitas funções e, se eliminará alguns postos de trabalho, criará milhões de novas posições de trabalho altamente qualificado. Segundo o relatório Predicts 2018: AI and the Future of Work, do Gartner, até 2020 serão geradas mais de 2,3 milhões de vagas de trabalho pela Inteligência Artificial contra 1,8 milhão de empregos suprimidos. Entre os postos de trabalho já criados a partir das necessidades da IA estão os de analista de otimização (profissionais de diversas áreas que trabalham na otimização dos softwares de IA) e data labelling (profissionais responsáveis por inserção de tags em softwares como os de vídeo por streaming, por exemplo). “O medo de perder o emprego pode estar mais relacionado ao nosso comodismo do que à IA necessariamente. Haverá muita mudança sim e o que fica é que precisamos estar atentos e buscarmos conhecimento, além de sabermos como trabalhar em colaboração com as máquinas”, conclui Luana. Quer saber mais sobre o assunto? Entenda por que investir em IA e Iot!

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