quarta-feira, agosto 10, 2022

Como as habilidades socioemocionais podem mudar a educação

Aprender a ser e a conviver são ações que estão relacionadas intrinsicamente ao conceito de educação socioemocional. Mas, você sabe o que isso significa? E qual a importância das habilidades socioemocionais para o futuro da educação? O tema foi um dos destaques do Ciclo de Debates em Gestão Educacional: A formação de professores no contexto da BNCC (Base Nacional Comum Curricular), ocorrido semana passada em São Paulo. O evento, parceria do Instituto Ayrton Senna e Itaú Social, reuniu professores e gestores de diversas partes do país, que acompanharam palestras de especialistas nacionais e internacionais em educação.  

Habilidades socioemocionais

O termo socioemocional está relacionado ao conjunto de habilidades sociais e de inteligência emocional envolvidas nas relações intra e interpessoais. A educação socioemocional tem intuito de estimular o estudante ao desenvolvimento de atitudes e comportamentos para lidar de forma eficaz com situações e desafios do seu dia a dia. O objetivo da educação socioemocional é proporcionar o desenvolvimento de competências como criatividade, abertura ao novo, cooperação, saber trabalhar em time, flexibilidade, iniciativa, persistência, foco, disciplina, entre muitas outras. Esse grupo de competências está previsto na BNCC e requer que os professores estejam preparados para desenvolvê-lo intencionalmente, planejadamente, como é o preparo para uma atividade de alfabetização, defendeu Viviane Senna, presidente do IAS (Instituto Ayrton Senna).  

Habilidades cognitivas + socioemocionais

Resolver questões de matemática, aprender a ler e a escrever são essenciais em uma escola. Esse desenvolvimento cognitivo dos alunos é fundamental, claro, mas não suficiente no contexto atual. Enfrentar os desafios do século 21 exige também o desenvolvimento das habilidades socioemocionais e são esses dois grupos, combinados, que serão cruciais para enfrentar as demandas atuais, afirmou Viviane. “Eu costumo comparar o Brasil a um samurai que tem de lutar em duas frentes simultaneamente. De um lado, com as tarefas típicas do século 19 e 20, como ensinar a ler, calcular, pensar logicamente, etc, o que os países desenvolvidos fizeram com sucesso, mas que Brasil ainda não fez à altura, como mostram nossas avaliações. E de outro, temos de lidar com novas demandas do século 21 que vão exigir, além das competências típicas cognitivas que a gente vem desenvolvendo, também o desenvolvimento das competências socioemocionais. São muitas habilidades e esses dois grupos, não um ou outro, mas os dois, vão ser fundamentais para o desenvolvimento dos alunos”, disse.  

Grandes impactos

Estudo de impacto feito pelo IAS mostra que, se todas as escolas de ensino médio aplicassem grupo de habilidades socioemocionais combinadas às cognitivas, o Brasil saltaria das últimas posições no PISA (Programa Internacional de Avaliação de Estudantes) para o nível próximo ao dos Estados Unidos em apenas três anos. O desenvolvimento das habilidades socioemocionais também está relacionado ao aumento da longevidade, do bem-estar social, da renda, da estabilidade no emprego e até conjugal. Além disso, traz reflexos como quedas nas taxas de depressão e obesidade, menos chances de envolvimento com drogas e violência.  

Educação mais forte

Palestrante do ciclo de debates, a professora emérita da Universidade Stanford, Linda Darling-Hammond, compartilhou as experiências dos Estados Unidos, que acabaram de passar por um processo de repensar o currículo educacional. “Nenhuma sociedade pode ter sucesso sem uma educação forte”, reforçou. Linda citou que, de 1999 a 2003, houve mais conhecimento criado no mundo do que todo o acumulado anteriormente e que o nível de tecnologia dobra a cada onze meses. “E como todas essas mudanças podem chegar à escola? Antes, fatiávamos tudo e os alunos ‘vomitavam’ na prova. Hoje, isso não faz o menor sentido. Os estudantes de hoje vão trabalhar com conhecimento que ainda nem existe e resolver problemas que não resolvemos hoje. Eles vão ter de aprender a aprender sozinhos sobre como fazer isso”. Daí a importância de, cada vez mais, currículos baseados nos desenvolvimentos cognitivos e socioemocionais.   Você tem desenvolvido as habilidades emocionais em sua escola? Compartilhe suas experiências! 😊

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