quinta-feira, setembro 29, 2022

Desigualdade salarial em Hollywood evidencia situação da mulher no mercado de trabalho

Na semana passada, a atriz de Hollywood, Natalie Portman, tornou público um fato recorrente no mercado de trabalho. Ela revelou, em entrevista a Marie Claire UK, que recebeu três vezes menos do que o ator Ashton Kutcher por seu trabalho na comédia Sexo Sem Compromisso (2011). A atriz foi além e comentou como isso é comum na indústria do cinema. “Em comparação aos homens, na maioria das profissões, as mulheres recebem 80 centavos para cada dólar (recebido pelos homens). Em Hollywood, recebemos 30 centavos a cada dólar”, disse à revista.

A disparidade de salários não é algo rotineiro apenas no universo de Hollywood. Pelo contrário. De acordo com a professora do MBA USP/Esalq, Heliani Berlato, que é especialista em gêneros e carreiras, dados estatísticos mostram que as mulheres ganham 77% do que recebem os homens. A diferença salarial não está ligada ao nível educacional ou a idade. “Mulher com alta escolaridade e ganhando menos. Dados estatísticos mostram que a mulher está estudando mais. Embora haja uma percepção diferenciada, é muito complicado para a mulher ver que ela dedica-se muito mais ao estudo e isso não é tão reconhecido. No esporte, por exemplo, os valores de prêmios são diferenciados entre homens e mulheres”, informou.

A professora e pesquisadora defende a equidade de gêneros e as oportunidades iguais para ambos os sexos. “O quanto estamos dando as mesmas oportunidades para as mulheres? Não deveria existir profissão para homem ou para mulher. Estamos falando de competência e ela não está atrelada ao sexo da pessoa e sim ao indivíduo e sua expectativa, seja homem ou mulher. Não devo ser classificada pelo sexo que nasci”, disse.

A evolução da mulher no mercado de trabalho é latente e a discussão vai além da igualdade de gêneros. “As minhas pesquisas mostram que a questão cultural está muito forte, o que é muito difícil de mudar. A condição da mulher tem que ser alterada”.

O desabafo de Natalie Portman mostrou que a desigualdade de gêneros está presente em todas as camadas da sociedade. Mas também trouxe à tona uma corrente contrária. O próprio Kutcher compartilhou a notícia em seu perfil no Twitter e aplaudiu a atitude da colega de profissão em denunciar esse tipo de situação. “Estou tão orgulhoso de Natalie e de todas as mulheres que se levantam para acabar com a diferença salarial de gênero!”, afirmou o ator.

Segundo Heliani, as pesquisas e discussões devem continuar e, com a evolução da tecnologia, os dados podem sinalizar a redução dessa desigualdade. “Tendência dos estudos mostra que em 2090 estaremos com esse assunto liquidado. Eu queria que fosse bem antes, mas a perspectiva é essa. Está longe, o que mostra a morosidade no sentido do aceite de que a mudança existe, de que essa cultura precisa ser mudada. Fica-se muito nas questões físicas das mulheres, mas hoje temos máquinas, tecnologias, temos mulheres dirigindo ônibus, caminhão. Não é para ser espantoso, é para ser natural. Assim como a gravidez da mulher, que não deveria ser um problema. Apesar dessas pequenas coisas, nós estamos caminhando”.

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